Frei Alfredo: uma
lição
de vida!
A partir de 68 , Frei Alfredo ia à praia de Rio doce quase todas
as tardes, a fim de observar a vida dos pescadores e conversar com eles.
O maior número dos pescadores de Olinda eram jangadeiros, cuja renda
das pescarias era muito baixa, sua alimentação era precária,
o analfabetismo bastante acentuado, principalmente nas aldeias e povoados,
as moradias eram de taipa, tábua ou palha de coqueiros. Não
possuía água encanada nem energia elétrica. A mentalidade
fatalista: tudo acontece porque Deus quer. Eram explorados pelos armadores
e peixeiros intermediários, que quase nunca lhes pagavam toda a
produção.
Cansado desta situação o pescador discutiu com o peixeiro
e ameaçou quebrar sua barraca com tudo que tinha dentro; a partir
de então passou a vender seu pescado diretamente ao consumidor.
Conhecendo essa situação Frei Alfredo não teve dúvida
em apoiar a atitude de desligamento desse pescador do peixeiro, que com
o apoio e estimulo do Frei Alfredo se juntou a outros companheiros que
o encarregaram de vender também a produção deles.
Em 1970 com ajuda da SUDEPE conseguiram o material para a construção
da sede da Colônia Z4. O próprios pescadores entraram com
a mão de obra, e a Càritas Diocesana ajudou com alimentação.
“
No dia 09 de agosto foi possível cobrir a construção.
Nos dias 10 e 11, caíram chuvas fortes e ininterruptas sobre Olinda,
provocando uma enchente desastrosa para muitos moradores de Olinda e principalmente
para os pescadores da pequena sociedade. As águas das ruas procuravam
um caminho para o mar. Justamente ao lado da peixaria achou uma brecha.
Durante uma noite cavou uma vala de três metros de profundidade,
minando inclusive os fundamentos da peixaria, do lado do mar onde estava
colocado o balcão frigorifico. O alpendre que ficava do mesmo lado
caiu às 4 horas da madrugada. Até esta hora estava ajudando
os pescadores a salvar o que era possível. Mas quando vi o alpendre
cair e a máquina ameaçada de ser precipitada na correnteza,
fiquei apavorado. Os pescadores cruzaram os braços tremendo de frio,
aguardavam calados a catástrofe.
Quando vi que depois de tanto trabalho e sacrifício eles podiam
voltar a cair no fatalismo, eu mesmo perdi as esperanças e voltei
para casa, não querendo mais ver o resto da catástrofe. Mas
não consegui descansar .
Duas horas depois voltei à peixaria. As chuvas tinham terminado. Grande
foi minha surpresa quando vi o presidente da colônia, ajudado por alguns
pescadores, trabalhar no salvamento da peixaria. Já tinha escorado os
alicerces com pedras. Na vizinhança já tinha pedido um pouco
de cimento para cimentar os alicerces danificados.
Perguntei ao presidente: “ainda tem coragem de continuar a luta, agora
que não tem mais dinheiro para comprar o peixe e uma parte da jangada
está destruída pela correnteza?”- A resposta do presidente
foi mais surpreendente ainda:” Se o senhor não quiser mais continuar
nos ajudando, continuo sozinho na luta”. Ai, os papeis estavam invertidos;
o animador já não era mais eu e sim um pescador. E eu me reanimei” . Voltar...
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